A Jornada do Louco


A Jornada do Louco, já foi muito contada por ai.. e eu só fiz copiar..

“A partir do trabalho de Jung   com a proposta de inconsciente coletivo e seus arquétipos, elevou-se o interesse da psicologia  nos caminhos não racionais que são traçados pelo homen para lidar com o mistério da vida e do universo.A psicologia analítica volta-se entre outras coisas ao estudo do Tarô e principalmente dos seus 22 arcanos maiores como arquétipos, ou seja, símbolos autênticos, capazes de fecundar nosso consciente, gerar idéias novas  e estimular a criatividade. A viagem descrita pelos Arcanos maiores do Tarô é arquetípica, demonstra estágios de desenvolvimento psicológico e estimula os homens na arte de aprender. O caminho traçado pelo Tarô desde a saída do louco até o reencontro consigo mesmo na carta do mundo, é o caminho que Jung compreende como o caminho do homen no processo de individuação, de descobrir sua originalidade única e atingir a totalidade ou a auto-realização. Esta viagem dos Arcanos acontece em vários níveis diferentes, proporcionam mudanças internas e mobilizam acontecimentos  externos que por sua vez mobilizam novamente o interior, como um grande círculo dançante. É o que o Joseph Campbell chama de a viagem do herói, descrita em vários mitos ao redor do mundo.

E a Jornada do Louco começa…

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O homen inicia a viagem como bobo porque é necessária a postura simples e inocente para abraçar o novo e desapegar-se do velho, apenas com o instinto como o guia.

Ao tentar o novo sem julgamento, com alegria e disposição de brincar, o louco acessa o Mago , a carta Um, que é o princípio criador masculino, que o torna capaz de guiar-se sozinho, de obter conhecimento por si mesmo, de ser mestre.

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Com este princípio ativo e criador, o louco ganha consciência e começa a buscar clareza e tomar iniciativa. Prosseguindo em sua viagem encontra a Papisa ou A Grande Sacerdotisa e sua compreensão ganha a luz da certeza intuitiva, do sonho, da previsão, da compreensão profunda não só da luz, mas também da sombra, dos inter-relacionamentos e interditos.

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Pronto, o herói antes bobo, louco e ingênuo abriu dentro de si a mãe e o pai celestiais e vai se deparar agora com a mãe e os pais terrenos. São as cartas Três e Quatro do Tarô: A Imperatriz  e O Imperador.003-004Aqui o herói compreende a natureza e seus ciclos, o ser fértil, o trazer o novo ao mundo, a renovar, a crescer. No colo da imperatriz o louco aprende a confiança na plenitude e na abundância. Já nos braços do Imperador ele aprende a realizar, a concretizar as idéias geradas pelo solo da imperatriz, a perseverar, a criar ordem, estrutura e resistência para controlar e se responsabilizar pelo equilíbrio, pela constância da energia vital e de crescimento desenvolvido pela mãe.

De posse dessas forças (nutriz e realizadora) o herói se encontra com o Papa , ou Hierofante , onde obtém a educação para diferenciar o mal do bem.

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O Papa é o Pontífice, a ponte entre Deus e o homem, e através dele o louco começa a buscar o sentido, a direção, a respeitar o oculto e a confiar em Deus.
Agora ele está pronto para  exercer sua vontade, e pode se deparar com a carta Seis, Os Enamorados ou Os Amantes. Aqui o herói se coloca diante da encruzilhada, é o momento da vida em que é necessário tomar uma decisão, fazer uma escolha sincera e dedicar-se à sua opção.

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E a Jornada do Louco continua…

Ao escolher a direção à carta do Carro , a carta Sete, se move em direção ao herói, e com o Carro o louco se põe na estrada levando consigo a responsabilidade da escolha feita anteriormente e aprende a dominar as contradições do caminho, a experimentar o mundo, ousar fazer o novo , despertando para si mesmo e entrando no campo da conscientização.

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Agora nosso herói está preparado para a carta Oito, A Justiça , o amadurecimento, necessário para compreender as leis, julgar equilibradamente, ser objetivo, honesto, corajoso, e tomar decisões sábias.

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A força da Justiça leva o herói a reconhecer a necessidade da responsabilidade de ouvir a si mesmo para decidir. Ele se retira e recolhe-se na carta do Eremita ou Ermitão .

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Aqui na introversão, na concentração interior,  ele acessa o velho sábio, o autoconhecimento, o silêncio interior, a fidelidade a si mesmo e aos própios padrões pessoais.Consciente de sua identidade ele busca o oráculo, a carta Dez , A Roda da Fortuna , a força motriz por trás das mudanças da sorte no universo, e descobre a tarefa da vida, o centro, o significado escondido nas mudanças.

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Diante do inevitável, ou seja, as mudanças da vida, nosso herói acessa a carta Onze, A Força ; que lhe empresta coragem para lidar com suas sombras e continuar afirmando a vida com prazer mesmo diante das perdas que a roda possa trazer.

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O sentimento de poder que a carta Onze pode trazer leva o herói a enfrentar a prova da carta Doze, O Enforcado , onde se vê numa situação em que a única força é a rendição do ego. De cabeça pra baixo sobre o abismo o herói precisa enterrar seu ego na sombra da terra fértil e crescer para dentro.

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Não há saída e o louco vive nesta carta uma crise existencial, precisando submeter-se ao exercício da humildade e da paciência e preparar-se para a descida ao inferno que a carta Treze , A Morte , traz em seguida. Agora o herói precisa deixar morrer o que não serve mais, deixar cair os limites, experimentar a dor do fim, desapegar-se, para que o novo venha.

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Renascido o herói é saudado por um anjo , A Temperança , o anjo-condutor que proporciona o reencontro consigo mesmo, com esse novo ser que flui em harmonia, tranqüilidade e saúde.

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Mas esse reencontro precisa ser total e esse anjo o leva de encontro ao Diabo , a carta Quinze, o reino do vício, do escuro, do escondido, para assimilar sua sombra, recuperar a força que ela tem, e assim poder assumir sua liberdade com um ser total.

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Essa libertação tende a ser dramática, e é necessário o desmoronamento da Torre , da proteção, das certezas e crenças cristalizadas, a carta Dezesseis, onde os limites são explodidos e, com eles a prepotência, deixando no lugar somente incertezas.

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O Louco olha agora para a carta Dezessete, A Estrela , a carta da fé, da esperança que será sua única guia nessa fase do caminho. Aqui ele começa a se relacionar com o todo e a confiar, sentindo-se revigorado.

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Assim ele pode passar pelo reino da espera pelo que virá a carta Dezoito, A Lua , onde a ansiedade, o medo, a insegurança de não saber  nada, só é curado pelo acesso anterior da esperança, que lhe diz que  a clareza em breve se aproxima.

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E ela vem com a carta Dezenove, que traz a luz, O Sol . Aqui a despreocupação, a alegria de viver e a leveza abraçam o herói nesse novo nascimento.

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Ele agora pode encontrar a carta Vinte, O Julgamento , onde com a clareza do Sol no coração, ele pode fazer a somatória da vida, colher seus frutos e ver o início surgir do passado.

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Finalmente o louco pode agora se perceber inteiro e em paz. Pode abraçar O Mundo , a carta Vinte e Um, assumindo seu lugar na totalidade, e caindo na dança da vida com todos os seus opostos integrados em harmonia e fluidez.

A Jornada do Louco_ O Mundo

Agora, no plano mais alto do caminho, o herói reencontra sua criança dançante, alegre e desapegada, seu Louco, e descobre que novamente pode partir, se aventurar, se arriscar de novo, de novo, e de novo… em mais uma jornada do louco…”

(extraído do blog de Ivana Calado)

Eu já nem preciso dizer o quanto eu fui (e acredito que ainda seja) apaixonada por Jung… engraçado que o meu sentimento por Freud é o oposto. Jung (a meu ver) é muito mais leve.. é muito mais simpático.. rs e há em mim uma identificação, talvez pelo fato dele ampliar coisas tão restritas. Talvez por ele falar sobre coisas que eu acredito muito mais, do que as faladas por Freud (a quem sempre discordei e por conta disso, tive minha primeira experiencia traumática, de reprovação, numa matéria que nada tinha a ver com o ele.. mas que a professora era apaixonada (obcecada???) e não falava de outra coisa.. até enquete fez.. e por conta de minha ojeriza por Freud, acabei sendo reprovada.. rs.. coisas que só aconteciam na Gama Fº – Vc tem que dizer “Concordo”, caso contrário sua média iria baixar.. rs – mas isso é outra história)..

Em suma, eu me apaixonei por Jung.. depois veio o Tarô..Quando eu li pela primeira vez, a Jornada do Louco, eu entendi mais ainda, sobre Jung.. sobre Tarô.. sobre a vida.. suas fases.. Tudo ficou muito fácil.. Era como se eu, estivesse fazendo a Jornada do Louco.. eu senti exatamente isso.. e vc, o que sentiu?

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